Cinco + filmes interessantes porém difíceis de entender

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Você está lá, vendo um filme que super te recomendaram, que a crítica tá irada, que todo mundo só fala bem… O filme acaba. “Fudeu, nāo entendi nada. Sou retardado, e esse filme é inteligente demais pra mim!”. Quem nunca soltou uma dessa depois daquele filme interessante porém dificil de entender? Bom, eu já. Sei como é frustrante, e um pouco vergonhoso, mas acontece com todo mundo. Certos filmes nāo sāo feitos para serem compreendidos de primeira, outros sāo feitos para encaixarem em inúmeros pontos de vista e modos de compreensāo, e certos filmes simplesmente nāo se encaixam com o repertório de quem assiste. Acontece, e isso é normal, galera.

Entāo, eu separei alguns filminhos daqueles que fazem a gente rachar a cabeça, porém sāo de ótima qualidade. E vamos ver se eu sou a única que realmente nāo conseguiu entendê-los.

1-    CIDADE DOS SONHOS

O David Lynch, diretor de “Cidade dos Sonhos” é notoriamente um diretor de difícil compreensāo. Seus filmes abordam assuntos como: imagem dos sonhos, o surrealismo, e todo essa questāo onírica presente na vida das pessoas.

Em Cidade dos Sonhos, Lynch brinca com o espectador. A memória acostumada a preencher vácuos de uma história de suspense perde-se totalmente na riqueza de detalhes que, por vezes, parece não significar nada. Alguns, todavia, se sobressaltam. (Dividiu com Joel Coen, que também ganhou, o prêmio de Melhor Diretor em Cannes)

Análise feita por Thiago Tazinafo:

“A chave para a compreensão básica do filme consiste numa concessão: a de que, quando sonhamos, frequentemente mudamos a identidade e a identificação das pessoas que conhecemos. Nos sonhos, fundimos ou dividimos pessoas, trocamos nomes, recombinamos aspectos da personalidade, de forma queas personagens dos sonhos não necessariamente correspondem de forma integralàs personagens que conhecemos. Falo deliberadamente em personagens e não pessoas, de forma a aproximar a linguagem onírica à forma de um enredo, ou de uma história de cinema. Parece-me que é isso o que mais interessa a David Lynch: filmar sonhos

Partindo desse ponto, a compreensão de “Cidade dos Sonhos” não é tão difícil.Como já foi dito, a história pode ser dividida em duas partes: a narrativa “real” e a narrativa “onírica”. A primeira diz respeito às imagens antes dos créditos e depois que Diane acorda, i.e., quando Betty desaparece da história. É a parte extraordinariamente triste do filme. É na parte “real” que entendemos as motivações das fantasias de Diane. Estas aparecem em sonho, do momento em que Rita está no carro em Mulholland Drive (créditos iniciais) até quando o cowboy chama Diane de volta à realidade. É sensacional a forma como o cineasta recria, por meio da associação de imagens, a verdadeira associação de idéias que operamos, justamente, no sonhar. Um exemplo está em Luigi Castigliani. O dono do estúdio lhe oferece um dos mais conceituados espressos do mundo e, ainda assim, o homem o cospe no guardanapo. Na fase “real” da história, no momento em que Adam e Camilla estão prestes a anunciar seu casamento, Diane está tomando um espresso, quando se depara com um convidado particularmente carrancudo em outra mesa. Ela associa o café ao homem, e assim virá a surgir Luigi Castigliani em seu sonho; de forma semelhante, o misterioso cowboy do sonho é um simples convidado vestido de vaqueiro na festa; A garota que beija Camilla na festa vem a tornar-se a Camilla Rhodes do sonho, aquela que o diretor só escolheu “por força maior” (e não por culpa da própria Diane), e assim por diante.”

2- ÁRVORE DA VIDA

Quando eu assisti Árvore da Vida, do Terrence Mallick no cinema, eu presenciei metade do cinema indo embora antes do filme acabar. Minha família nāo aguentava mais. Eu achei o filme, talvez, um pouco lento de se passar. Mas a genialidade da produçāo é indiscutível. Impecável. Esse filme se encaixa naquela definiçāo de filmes feito para mais de um ponto de vista. E quantos foram os pontos de vista que eu ouvi sobre ele, Meu Deus! Enfim, o filme trata de escolhas. A vida é feita de escolhas. Uma das escolhas mais sérias na vida é o modo como vivemos a vida, se como graça ou como natureza. Essa questão é uma alternativa clássica na filosofia cristã, mais especificamente de  Santo Agostinho. (O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes)

 

Análise feita por Luis Felipe Pondé, nosso querido professor de Filosofia.

“Segundo a personagem feminina principal, a mãe dos três filhos (um deles, quando adulto, será Sean Penn) e esposa de Brad Pitt no filme, interpretada pela belíssima ruiva Jessica Chastain, há duas formas de viver: “The way of grace or the way of nature” (segundo a graça ou segundo a natureza). Podemos também traduzir “way” aqui por caminho, modo, forma ou maneira. Esta é a chave para o entendimento mais profundo deste filme. Sem ela, você poderá ficar rodando em círculos ao redor do encontro, no enredo, entre a origem do universo e da vida na Terra (narrada em maravilhosas imagens cósmicas e paleontológicas) e a história da família que tem essa “mística” como mãe e que nos primeiros minutos recebe a notícia da morte de um de seus filhos na guerra do Vietnã (o “filho mais doce e generoso” dos três). A graça é generosa, não pensa em si mesma, pode ser humilhada, ignorada, desprezada, mas ainda assim ela dá vida. A natureza só pensa em si mesma, submete todos a ela, é escrava de sua fisiologia, ao fim, vira pedra.

É mais ou menos assim que a mãe “mística” define a diferença entre viver segundo a graça ou segundo a natureza. Se a vida é fruto da graça, ela é dádiva de beleza e de bondade, se ela é apenas natureza, ela é cega e sem sentido. O adulto Sean Penn será o herdeiro agoniado desta questão: a vida é graça ou mera natureza? “Devo ser competitivo”, como o pai o ensinou a ser (a natureza), ou “generoso”, como a mãe lhe dizia (a graça)? A morte prematura do irmão será intransponível? Como amar a vida diante da morte? Seria ela a derrota da graça? A vitória da natureza cega?

Cada morte é como se fosse a primeira morte no mundo.”

3-    DOGVILLE

Que o Lars Von Trier é um pouco doido, todo mundo sabe. Porém, infelizmente, nāo sāo todos que reconhecem a genialidade do diretor dinamarquês de Dogville. O filme é longo pra caramba, nāo conta com nenhum artificio falso, ou seja, NĀO tem cenário, os cortes sao feitos de modo abruptos, secos e nāo convencionais (artificio idealizado pelo dogma 95), a continuidade é zero e a história dá uma raiva em quem assiste que só vendo o filme pra saber, e concordar comigo. Entender Dogville nāo é tao complicado que nem os outros. Suas simbologias e metáforas que sāo um pouco duras. O cachorro que se materializa no final, certas frases, certos rumos de alguns personagens. Tudo desenvolvido de um jeito pouco democrático (sendo gentil) na hora da compreensāo de quem assiste.

O que sabemos, fato, é que essa obra, assim como muitas outras de Von Trier, trata da arrogância humana. O diretor faz um retrato de um mundo cruel, mesquinho, egoísta e arrogante. Muitos o acusaram de ser “anti-americano” após assistirem o filme. Se pa eles realmente nāo entenderam o filme, assim como eu depois da primeira vez que assisti. Acontece.

PS: O FILME ACABAR COM “YOUNG AMERICANS” DO DAVID BOWIE É A FORMA MAIS GENIAL DE SE FINALIZAR UMA OBRA COMO ESSA!!!!

Analise feita por Alexandre Valim

“Dogville é uma pequena cidade, com pouco mais de uma dezena de residentes, situada em algum lugar entre as montanhas do meio-oeste estadunidense. A história se passa durante a Grande Recessão Americana na década de 1930 e gira em torno de Grace (Nicole Kidman), uma jovem que, fugindo de perigosos gangsteres, acaba encontrando refúgio em Dogville. Encantado com a moça, o introspectivo Tom (Paul Bettany) propõe que a cidade ofereça abrigo a Grace que, em troca, faria pequenos serviços para seus moradores. Aos poucos, porém, os aparentemente amáveis habitantes de Dogville, ao descobrirem que ela está sendo procurada pela polícia, vão exibindo um lado sombrio e passam a explorar a garota, a impedindo de abandonar o lugar.Von Trier criou um espaço cinematográfico simples e despojado incorporando elementos teatrais e literários; utilizando vários elementos do teatro de Bertolt Brecht. Minimalista, o diretor utilizou alguns objetos de cena mas nenhum cenário; apenas linhas pintadas no chão demarcando duas ou três ruas e algumas casas. O cenário invisível (sem paredes, janelas ou portas) permite que o espectador veja os coadjuvantes em seus afazeres longe do foco principal da ação. Além de servir como metáfora do filme, não desviando a atenção do espectador para nada além da narrativa, o artifício ressalta a dramaticidade através da encenação. Desse modo, Von Trier consegue estender a profundidade de campo e sublinhar as conseqüências de cada ação individual em relação à comunidade como, por exemplo, nas seqüências em que Grace é estuprada.Ao abdicar dos cenários e dos adereços, o diretor procurou valorizar o âmago de cada personagem para que o espectador, despojado do “supérfluo” e do “superficial”, pudesse olhar apenas para o que verdadeiramente interessa em seu filme: a desumanidade que “emana” da humanidade.Embora o filme seja composto por um prólogo, que apresenta os personagens, e nove capítulos, sua argumentação pode ser divida em três partes: 1 – Grace é aceita na cidade ao se tornar útil a cada um dos moradores – oferecendo sua companhia a um homem cego que não admite a cegueira (Ben Gazzara), colhendo maçãs para um sitiante (Stellan Skaarsgard) ou cuidando do pomar de Ma Ginger (Lauren Bacall). 2 – Quando a polícia e os gangsteres intensificam a procura por Grace e os moradores tornam-se cruéis. 3 – O desfecho da trama, com uma mudança de atitude de Grace.Dentre as leituras possíveis de Dogville, a que trata o filme como uma parábola moral me parece ser a mais interessante. Nessa perspectiva, Dogville é uma “novela exemplar” sobre o comportamento humano, a vida em comunidade e a tensão que se estabelece entre a escolha individual e a norma coletiva. Na segunda parte do filme, de maneira completamente oposta à primeira impressão que Grace tem quando conhece os residentes da pequena cidade, os moradores revelam a sua vilania, representada através de pecados da natureza humana como: a vaidade (Chloe Sevigny), o orgulho (Ben Gazarra), a ira (Patrícia Clarkson), a luxúria (Jean-Marc Barr), a avareza (Lauren Bacall) e a inveja (Stellan Skarsgard). Desse modo, por trás do gesto de tolerância e compreensão coletiva, só haveria torpes interesses individuais.Em algumas seqüências existem motivos que estão relacionados a uma crítica do diretor à sociedade estadunidense como, por exemplo, no escritor pragmático que tenta transformar o vilarejo em um laboratório para testar suas teorias moralistas e obter material para um “grande livro”; o hábito de discutir as questões da comunidade em assembléias paroquiais – uma atividade coletiva, mas que no filme é uma máscara que esconde um individualismo conservador e possessivo, além do ódio ao forasteiro; quando Grace ensina o estoicismo aos filhos de Vera (Patricia Clarkson) lhes mostrando como suportar a pobreza e as frustrações sem revoltas. Entretanto, apesar destes pontos, talvez o filme seja mais uma crítica à sociedade de classes do que à sociedade estadunidense.De maneira bastante moralista o filme afirma repetidamente, e de forma agressiva, que todos somos responsáveis pelos nossos atos, e se temos problemas é porque não fazemos o suficiente para resolvê-los. Assim, nossa ignorância e ausência de um verdadeiro interesse pelo coletivo, ilustrado em várias passagens, é a alavanca que causa dor e sofrimento a nós mesmos; como, por exemplo, na seqüência em que um morador é reprimido verbalmente pelos outros dentro da igreja, ao lembrar que eles nunca se ajudam.Após 8 kafkianas e angustiantes partes, Grace se encontra com o pai gangster (James Caan) dentro do carro e iniciam uma conversa sobre o destino de Dogville. O gangster, na perspectiva que apontamos anteriormente, é um Deus severo e vingativo assim como no Antigo Testamento. Nesse momento, ela e o pai dialogam sobre a soberbia: Ela quer o perdão para os habitantes da cidade, como se dissesse “eles não sabem o que fazem”. Deus a acusa de soberbia por fazer a concessão de perdoar quem lhe é inferior e lhe impingiu tanto sofrimento. Grace diz que o pai é soberbo devido à sua vontade de vingança e pede poder, que lhe é concedido, para salvar Dogville. Entretanto, ao sair do carro, e ouvir Tom “o intelectual” dizer que escreveria sobre o que se passou, que aquilo seria passível de análise, ela se desilude com a humanidade e purga Dogville com o aniquilamento – houve aplausos entusiásticos na sessão em que eu o assisti.Uma leitura possível do personagem Tom é que ele representa tão somente a parte da sociedade intelectualizada que, no filme, sempre repete as mesmas coisas, confunde os outros com seus discursos vagos; mente para dar coerência às suas teorias e tem medo de uma inserção mais incisiva nos problemas sociais; os exemplos estão presentes em várias seqüências, como por exemplo, quando ela é estuprada próximo dele. A esperança que Grace tinha na humanidade se perde quando os que realmente poderiam fazer algo, o titubeante Tom, não fazem e reafirmam sua hesitação e passividade; uma crítica ao papel dos intelectuais como operadores sociais, que reforça a opinião do diretor: a humanidade não tem salvação.

A mensagem na seqüência final, quando Grace ouve os latidos do cachorro chamado “Moisés”, é que o animal tinha um motivo para não gostar dela, afinal ela havia roubado seu osso. Ela permite que o cachorro fique vivo pois nele há algo que não havia nos habitantes de Dogville, o que era? Nesse momento, o narrador em off diz: “será que alguém terá coragem de perguntar? e se isso for feito, será que alguém terá coragem de responder?”. A resposta soa um tanto quanto óbvia e reafirma Grace como uma mártir destinada a limpar tais impurezas como um Cristo redivivo e altivo; No entanto, no encontro imaginado por Lars Von Trier ante a desumanidade de Dogville, a divina Grace, sem nenhum desejo de conceder o perdão, desencadeia o “Dia do Juízo Final”.

4-    ECLIPSE

Os filmes de Antonioni podem ser caracterizados por terem muito poucos planos e diálogo (e muito do tempo é gasto em longas e lentas sequências). Eclipse, que faz parte de uma trilogia junto com “A Noite” e “A Aventura”, é o ponto de convergência de todos esses aspectos. O filme é marcado pela lentidāo, quase que se implora por um fim, mas isso é algo tendenciado pelo proprio diretor, que usa dessas caracteristicas pra evidenciar o sentido da trama. O elemento principal da trama é a propria estrutura desta: a incomunicabilidade, o silêncio.

Análise feita por Daniel Dalzipollo

“Todo o tédio, a longa espera por algo que parece jamais chegar, é transposto para a estrutura narrativa, prolongando a cada momento a sensação de que a obra terá um fim. Porque o fim, na realidade, não deixa de ser o próprio começo. O mundo já está morto. Os meios não mais justificam nada. O desconforto encobre tudo. Amor. Desejo. Felicidade. Os sentimentos foram enterrados. A vida avança, se renova, mas permanece a mesma. A sensação de cansaço parece não sumir jamais. E nada mais coerente do que concluir o inconclusível com o silêncio; o vazio ;o desconforto; a incerteza; o desolamento; a frieza. Ou, quem sabe, simplesmente, a inconclusão.

Porque não seria exagero algum afirmar que o final de O Eclipse, no qual Antonioni elimina os personagens de cena para fotografar pequenos cantos vazios da cidade, vagando sem rumo com sua câmera densa, inquieta, através de esgotos, sarjetas e construções incompletas, e terminando o desfecho com a imagem do sol se apagando para dar espaço às luzes da cidade, é o melhor, mais simbólico, representativo e impressionante de todo o cinema. Porque o eclipse, período durante o qual o mundo pára, estagna, foi transportado da natureza para a sociedade contemporânea, através da automatização das relações humanas. E o alvo do encobrimento, desta forma, são os próprios sentimentos.”

5-    OLDBOY

Eu me interessei por OLDBOY logo após eu ter lido um livro que o pontuou como sendo um dos filmes com o final mais surpreendente da história do cinema. Fui lá e aluguei, vi que era coreano e achei legal.

Que filme louco! Talvez seja o máis facil de entender desse TOP5, mas mesmo assim, os truques de desenvolvimento da história deixam a gente meio perdidos. O filme abrange inúmeras questões como: vingança, amor, ultra-violência, o tempo, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, e também faz parte de uma trilogia, junto com: “Simpatia pelo Sr.Vingança” e “Lady Vingança”. (O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes.)

Gente, o filme é tāo louco que eu simplesmente nāo achei nenhuma análise sobre ele. E eu só nāo vou ousar fazer uma. Sugiro que voces vejam, e analisem.

Comments
3 Responses to “Cinco + filmes interessantes porém difíceis de entender”
  1. Eduardo disse:

    Concordo que existem alguns filmes, como Árvore da vida, que exijam um pouco mais de raciocinio por parte das pessoas que o assistem, mas isso pode ser considerado de um modo generalizado simplesmente pelo fato de algumas pessoas terem mais interesse do genero do filme do que outras, daí o fato talvez de muitas pessoas terem saído do cinema muito antes do final do filme.

  2. dogville é uma ferida sem cicatrizaçao no meu intelecto. sem mais.

    • Balzac disse:

      Eu acabei de ver o OldBoys, que bizarroO_o , mas o filme eh muito bom mesmo, destaque para a trilha sonora excepcional, eu achei que o filme te prende a tela do começo ao fim, a gente sempre fica querendo entender todos os porquês…e todas as injustiças e exageros do filme

      Recomendo a todos que assistam esse filme, o final realmente é muito doido…

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